Aproveitei a pouca movimentação na cidade, durante o domingo (06/11), para passear por Itapecuru, principalmente em áreas distantes do Centro, e vi lixo (aos montes), ruas esburacadas (inclusive as recentemente asfaltadas), esgotos a céu aberto, obras inacabadas, e vi o que mais me chocou: cidadãos tristes e desesperançosos, sentados na porta de suas casas, em meio ao caos. Itapecuru sofre e clama pelas obras emergenciais que não chegam, e pelas que, mal executadas, estão se deteriorando faltando pouco mais de um ano para o final da atual administração.
DISCURSOS I
Coisas do tipo: “As estradas da região do Tingidor estão em situação caótica”; “Está lá para todos vocês verem. A Avenida Beira-Rio está afundando, devido ao material de péssima qualidade colocado ali. São os absurdos cometidos”; “Quando a gente chega e diz que os salários estão atrasados, aí dizem que não existe salário atrasado. Tem uma outra cooperativa que lida exclusivamente com o pessoal da Saúde, e cerca de 30 pessoas dessa cooperativa vieram me dizer que os salários estão atrasados. Então, quem diz que não tem salário atrasado está mentindo”; “Peço aos vereadores que provem o que estão dizendo. Falar é muito fácil” (reportando-se aos salários atrasados) – compuseram os discursos dos vereadores nos últimos dias. O que significam essas súbitas revelações: tomada de consciência, o desapego a uma administração que não serve mais ou os milagres das próximas eleições? Só para lembrar, os trechos citados acima fizeram parte dos discursos dos vereadores José de Ribamar Domingues (PSC) e Rogério Maluf Gonçalves (PRP), líder do Governo, proferidos na tribuna da Câmara.
DISCURSOS II
Tenho concordado, em parte, com alguns discursos dos vereadores, especialmente com o vereador José de Ribamar Domingues (PSC), quando ele é taxativo ao afirmar: “Quanto a falar das boas ações realizadas pela Prefeitura, o Poder Público não está fazendo nada mais do que a obrigação dele. É dever dele garantir o bem-estar da população. Fazer boas escolas, construir pontes, melhorar os acessos, é obrigação do prefeito municipal”. Num outro momento, o mesmo vereador ratificou: “Pagar os salários em dia é uma obrigação do gestor municipal, e não um favor”. A verdade é que tudo que é de responsabilidade do prefeito, não é favor, é obrigação. Isso é indiscutível.
PALAVRA DE VEREADOR I
“Pedi a palavra senhora presidente para declarar o meu repúdio a essa festa que vai acontecer dia 30 de novembro em nosso município, em comemoração ao Dia do Evangélico, não pela cantora, mas sim pela despesa, porque está ultrapassando todos os limites. Conversando com alguns amigos tomei conhecimento que o valor do show é exorbitante, e não somente o valor do cachê, mais também da estrutura. Se a despesa estiver passando de cem mil reais, não tem necessidade disso. Fica o meu repúdio. Temos muitos irmãos precisando de outras ações”, do vereador José Carlos Gomes Rodrigues Junior (PSDB), sobre o show da cantora gospel Fernanda Brum. Considerando que escolas municipais, sobretudo na zona rural, estão rachando pouco tempo depois de inauguradas; considerando que as estradas vicinais estão em situação caótica e as pontes precárias; considerando que os salários de parte do funcionalismo estão atrasados; e considerando que cooperativas que operam no município geram suspeitas, fatos que os próprios vereadores relatam, esse show, nesse momento crítico, é um absurdo mesmo vereador.
PALAVRA DE VEREADOR II
“Vou mostrar aqui rapidamente, em primeira mão, a planilha dos precatórios do município de Itapecuru Mirim a serem pagos. São 150 precatórios, ações trabalhistas que custarão aos cofres públicos quase 3 milhões de reais. Noventa e cinco precatórios do ex-prefeito Miguel Lauande, cinquenta e quatro da ex-prefeita Risalva Saraiva (fora os que já foram pagos), e um precatório do atual prefeito Junior Marreca. Está complicadíssimo gerenciar o município em que todo dia 10 vai ser retirado 14% daquela parcela do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) para cobrir precatórios. Precatórios estes que foram feitos no passado. Qual o dinheiro que vai sobrar para o Junior Marreca investir no município? Essas são as colocações para vocês terem uma ideia da nossa realidade”, ressaltou em discurso na tribuna o vereador Rogério Maluf Gonçalves (PRP), líder do Governo. Será essa uma justificativa para o que acontece de negativo na atual administração municipal? Este é o período certo para acreditarmos que Papai Noel realmente existe.
PALAVRA DE VEREADOR III
“Fiquei abismado quando um cidadão chegou para mim e disse: Vereador, dos cinco saiu um. Eu fiquei sem entender. Ele me explicou que dos cinco meses de salário atrasado, tinha saído um mês”, do vereador Josivaldo Rodrigues da Costa (PT), quando se debatia em uma sessão da Câmara a questão dos salários atrasados. Sinceramente, isso é para sorrir ou para chorar?
DESCASO
Todos conhecem os famosos caminhões que transportam lenha em nosso município, certo? Creio também que as autoridades conhecem a situação, sabem dos acidentes ocorridos, bem como sabem dos cidadãos vitimados. Perguntar não ofende: Por que até o momento nada foi feito? O descaso seria oficial ou oficioso?
AICLA
A Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA pode-se dizer que é uma realidade. O sonho histórico já tem dia para ser concretizado: 7 de dezembro de 2011. Parabéns aos que estão empenhados nesse importante projeto.
LIVRO DE BUZAR
O lançamento do livro “No Tempo de Abdala era Assim”, do jornalista, historiador e nosso conterrâneo Benedito Bogéa Buzar, acontecerá num momento muito especial. No próximo dia 15 de novembro, o seu pai, Abdala Buzar Neto, se estivesse vivo, completaria cem anos. A família reunirá, em Itapecuru, parentes e amigos para comemorar a data, com uma missa solene e um almoço. Agradeço de coração o convite recebido e aqui reitero o meu respeito à história de Abdala Buzar, figura exponencial e ex-prefeito desta terra , assim como respeito e consideração aos amigos Benedito e Amélia Buzar.
O POVO QUER SABER
O vereador José de Ribamar Domingues (PSC) admitiu: “O Poder Público, através do nosso prefeito, pode mandar para cá (para a Câmara) uma mensagem, pois se o mesmo, se assim o quiser, pode reduzir essa taxa de iluminação pública, que eu nunca deixei de assumir publicamente, a gente votou a iluminação pública (referindo-se ao reajuste da taxa), nunca neguei isso para ninguém, mas está na hora de haver uma revogação. Está na hora de nós reavermos essa situação. É um clamor da sociedade itapecuruense”. O povo quer saber: Por que os vereadores deixaram a situação chegar a esse ponto? Será que tal atitude era necessária? Os vereadores têm falado muito em medidas impopulares. E o que dizer dessa, no rol das piores já tomadas pela Câmara.
Até a próxima!
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